Todas as mães são reais. Uma mãe real é qualquer mãe que ame incondicionalmente os seus filhos e que tenha como suas principais insígnias o amor, a proteção e o crescimento saudável e feliz dos mesmos.

Mas, as mães reais, também perdem as estribeiras, elas também gritam, também se irritam e choram quando as coisas saem do seu controle. A mães reais também são controladoras porque tem medo de perder os seus maiores tesouros. As mães reais não tiram os olhos dos filhos na rua ou em espaços públicos e tremem de cada vez que veem um filho fazer algo de arriscado, apesar de saberem que, para o filho é uma vitória, para elas foi apenas um grande momento de tensão.  Porque ser mãe também passa por ficar com o coração apertado e aos saltos de cada vez que não conseguimos prever o que vai acontecer.

Por outro lado, também temos a capacidade de ter uma visão tão periférica que mesmo antes das coisas acontecerem nós já as estamos a imaginar. A maioria das vezes, é certo, tudo corre bem. Mas a pergunta que, inconscientemente todas as mães fazem é “e se não correr?” E começamos de imediato a elaborar planos estratégicos de ação e a definir caminhos até ao hospital mais próximo e a pensar a quem iremos ligar a pedir socorro… e tantas outras coisas que nos passam pela cabeça depois de sermos mães.

Paralelamente, as mães reais também são as que fazem chantagem e dizem “se não comeres tudo não vês os bonecos”, mesmo sabendo que ambas as coisas não estão sequer relacionadas.

Acredito que qualquer mãe real tem consciência de que não é perfeita e que essa tal de perfeição só acontece na casa do “Ruca” que por ser uma personagem de ficção, fica portanto, muito aquém da realidade.

Concordo que, atualmente enquanto pais estamos muito mais despertos para as questões relacionadas com uma educação pelos afetos e que, na grande maioria, colocamos, inclusive, em causa determinadas práticas do passado. A palmada é uma delas. Há quem lhe chame “palmada pedagógica”. Eu prefiro pensar que não existe pedagogia em qualquer forma de agressão mas também sei que nós somos o fruto inacabado das nossas vivências passadas e presentes e, também eu, já dei uma palmada aos meus filhos. Mas digo-o sem qualquer tipo de orgulho e faço um esforço diário para que esse tipo de situações limite não aconteçam.

Porém, nos últimos anos, muito devido ao surgimento das novas correntes de parentalidade positiva e consciente e, na ausência de um bom enquadramento pratico dessas mesmas teorias, criámos uma visão demasiado romantizada e pouco realista das mães que, na verdade as aprisiona num constante círculo de culpas, remorsos e questionamentos sobre a sua própria conduta enquanto mães.

Mas se por um lado todas estas teorias são válidas do ponto de vista das suas premissas, por outro lado, há que fazer um real enquadramento de todas estas teorias à realidade de cada família, de cada criança e principalmente, de cada mãe e cada pai.

Se todas as crianças são diferentes e têm o seu próprio ritmo, porque achamos que as mães têm que ser todas iguais?

Costuma dizer-se, com base no senso comum, que quando vemos uma criança feliz existe, sempre, por trás uma mãe com olheiras. E não poderá haver afirmação mais redutora do papel de mãe do que esta.

Esta afirmação, muito mais do que nos fazer imaginar pequenos monstros ditadores no lugar dos nossos filhos, faz das mães umas mártires que há muito deixaram de se preocupar com a sua aparência ou com o seu ego, vivendo em clausura pelos filhos.

Acontece que, nos últimos anos é de facto isto que esperamos ver. Mulheres acabadas para a vida assim que abraçam a maternidade e, vulgarmente, uma mulher que não cumpre este padrão é considerada como “desapegada” dos filhos.

Inclusive, assistimos a uma ambiguidade em relação ao papel do homem/pai no seio da família. Se por um lado, o homem está muito mais desperto para o seu papel fundamental ao nível emocional e educativo dos filhos, por outro, é também muito comum perceber que a sociedade portuguesa não está preparada para ver o homem como cuidador dos filhos e, na maioria das vezes é supra valorizada esta dedicação do pai, como se fosse algo de transcendente.

Basta estarmos atentos às redes sociais para, diariamente nos depararmos com estas ambivalências. Recordemos por exemplo o caso, tão mediático da atriz e apresentadora, Rita Pereira e do bullying que sofreu, de outras mães, porque partiu numas curtas férias e deixou o seu filho ainda bebé aos cuidados do pai. Ou por exemplo, o caso da, também atriz, Jéssica Athaíde que, estando grávida, lida com a sua gravidez de forma real e apesar de estar muito feliz, afirma sem medos que não gosta de estar grávida pelos desconfortos que sofreu durante os primeiros meses. Também, neste caso, a atriz dividiu opiniões, sendo fortemente criticada porque afinal parece que, aos olhos das nossas sociedades a mulher-mãe tem que aceitar de forma submissa, escravizada e silenciosa a sua condição e não pode mostrar “o outro lado” -os medos, os desconfortos, isto sob pena de ser considerada menos válida na sua condição de mãe.

Então, acabamos por ter uma visão romantizada da mulher e da mãe e, apesar de comummente nos referimos ao papel de mãe como “guerreira”, a verdade é que não damos espaço às mães para que elas travem as suas próprias batalhas e nem tão pouco lhes é permitido mostrarem-se como são, caso isso entre em colisão com a visão submissa que temos da condição de mãe.

 

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