Nunca concordei com esta afirmação e agora, que sou mãe, muito menos.

Costumamos, de acordo com o senso comum, dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras! Mas será que vale mesmo?

As palavras…nunca se recorreu tanto às palavras como atualmente. Nas redes sociais, nos média, nos blogues e páginas que brotam por todos os lados como cogumelos num pinhal. Atualmente, todos têm algo a dizer! E se por um lado estamos perante um excelente avanço civilizacional, por outro, observamos que, nunca as palavras foram tão negligenciadas como nos dias de hoje.

Se por um lado, é verdade que cada vez mais se recorre às palavras para denunciar situações e fazer chamadas de atenção para causas e projetos, por outro lado é recorrente, no nosso dia a dia, ouvirmos e lermos palavras em forma de agressão, de humilhação e de desprezo pelo ser humano.

 

Palavras-com-amor

 

Esta questão leva-nos à pergunta inicial. Será que o vento de facto leva as palavras uma vez ditas ou escritas?
Sempre que uma palavra é pronunciada ela afeta de forma diferente não só quem a recebe, mas inegavelmente também quem a emite.

Quando recorremos às palavras para agredir ou humilhar estamos, quase sempre a atribuir essa função às palavras. Escolhemos criteriosamente cada vocábulo para que ele tenha em si todo o poder para magoar o outro. Então, corremos o risco de desvirtuar severamente todas as palavras, por nós pronunciadas ou escritas. Não é assim o ciclo da agressão?

Por sua vez, quem as capta tem, na maioria das vezes, a sensibilidade de percecionar a intenção da palavra. Afinal, todas as palavras são ditas com uma intenção, mas também com um ou até mais sentimentos.
É comum dizermos que alguém fala com cólera. Mas por vezes não conseguimos identificar quando alguém fala com amor.

 

Vivemos numa sociedade tão veloz que as palavras são ditas, são escritas e lidas numa velocidade atroz. É cada vez mais frequente não termos tempo para falar, para ser ouvidos e normalmente o que acontece? Deixamos de falar mas também de ouvir.

E é muito isto que se passa nas nossas casas, nas nossas famílias. Tantas palavras, ditas, escritas e lidas, mas tão poucas as que são ouvidas ou sentidas.

Ao jantar, ouve-se o jornal da noite ou um qualquer programa de entretenimento. Estranhos, que se tornam rapidamente amigos dada a aparição rotineira, sempre nos mesmos dias e à mesma hora. Falam connosco através de uma tela e ouvimo-los de forma mais atenta do que ao nosso filho que está, ali, ao nosso lado a tentar dizer-nos como correu o seu dia na escola. Recorremos às palavras para o mandar calar, afinal estamos a tentar ouvir a atualidade nacional.

 

Nao-ouvimos-de-forma-atenta-os-nossos-filhos

 

Uma e outra vez, repetidamente este fenómeno acontece dentro das nossas casas e de forma tão inconsciente que acabamos por a normalizar.

Cada vez menos se dá a palavra às nossas crianças. Cada vez menos nos mostramos disponíveis para as ouvir.
Saímos de manhã a correr, chegamos ao final do dia exaustos, jantamos a correr e dormimos a correr para no dia seguinte o processo se repetir.

Na escola não é diferente: As palavras que tem que ser decoradas para escrever no teste, as palavras que são engolidas quando outros nos agridem, as palavras que ficam por dizer quando se pergunta se está tudo bem, as palavras que queremos ouvir quando sabemos que nos esforçámos, apesar daquela nota…
Pelo meio ficam tantas palavras, tantas perguntas, tantas respostas. Tantas palavras presas na garganta, tantas denúncias a fazer, tantos sinais ignorados.

 

Palavras-decoradas-para-o-teste

 

Então não! As palavras não são levadas pelo vento! Quando não ditas elas ficam presas, amordaçadas na vida de quem nunca as disse. Quando ditas elas transformam quer quem as emite, mas também quem as ouve. As palavras têm em si a capacidade de transformar. Elas tornam tudo mais belo ou mais escuro. As palavras carregam em si sentimento, o nosso sentimento. Cabe-nos escolher o que queremos que o outro leve de nós.

 

PROCURAS EXPLICADOR?

 

Procura Explicadores de Confiança