Este ano é ano de eleições. Primeiro as europeias, depois as regionais da Madeira e por fim as legislativas. As campanhas intensificam-se. Apesar disso, continua a haver muitas pessoas que não fazem a mínima ideia de quando serão as eleições. Estão “desligadas” da política. Se a política é tão importante numa sociedade, porque é que isto acontece? E haverá forma de reverter esta situação e cativar as pessoas para que tenham uma opinião e votem conscientemente?

Eu já tenho idade para votar, mas sei muito pouco sobre política. Não tenho conhecimentos sobre economia para saber dizer se prefiro o capitalismo ou o socialismo. E tal como eu, muitos dos meus colegas e outros jovens universitários estão completamente às escuras no que à política diz respeito. Das conversas que tenho tido, observo que quase toda a gente da minha idade que vai votar, votará num partido só porque esse é o partido no qual os pais votam. Não sabem bem o que o partido defende, podem não concordar com muitas das posições do partido, mas “como os meus pais votam nesse partido, eu também vou votar”. Das poucas pessoas com quem eu falei que percebem de política, ou têm pais políticos ou pertencem a juventudes partidárias.

Quando somos pequenos, estamos demasiado distantes. Não temos idade para votar, não percebemos o significado de muitas das palavras utilizadas por quem debate política na televisão, não temos maturidade para entender o funcionamento do sistema. O problema é que, quando crescemos, ninguém nos ensina nada. Não temos quem nos informe imparcialmente sobre as vantagens e desvantagens de cada partido nas várias áreas abrangidas pela política, sendo a principal a economia.

 

Ignorancia-dos-jovens

 

Nesse sentido, é preciso que algo ou alguém nos ensine os princípios básicos da política, nos explique as coisas mais difíceis desse mundo e, acima de tudo, que faça de nós cidadãos ativos que têm uma opinião sustentada em argumentos válidos. Como é óbvio, não nos podemos restringir ao que os filhos ouvem dos pais, porque dessa forma chegaríamos a um extremo indesejável. Os pais interessados poderiam ter filhos interessados, mas os pais que não ligam nenhuma à política não ensinariam nada aos seus filhos, e estes continuariam na ignorância.

A solução tem de ser outra. Criar uma disciplina na escola era uma boa opção. Aliás, existe uma, a Formação para a Cidadania, que poderia e deveria abordar alguns destes temas. É importante para os jovens começar desde cedo a perceber como funciona a sociedade e a forma como é governada. No entanto, voltamos ao mesmo problema. A maior parte dos jovens no ensino básico ou secundário ainda não se preocupa muito com isso, o que é natural.

O que eu defendo é que nas universidades deveria haver cadeiras sobre estes assuntos para todos os cursos, desde os de artes até às engenharias. Uma por ano deveria ser suficiente para que os jovens pudessem aprender e ter bases sobre economia, sobre a justiça e como funcionam as leis e sobre as áreas de intervenção de um governo. Porque antes de formar um trabalhador, é essencial formar-se a pessoa. Uma pessoa informada, uma pessoa que tenha conhecimentos em várias áreas e não apenas na sua, uma pessoa que seja capaz de decidir o que quer para o seu futuro. Tenho a certeza que os jovens universitários se interessariam muito mais por política. Porque o ensino é a melhor forma de combater a desinformação.

 

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