A maior prova que poderia ter de que o meu filho está a crescer, de forma saudável, são sem dúvida as suas “respostas tortas”.

De facto, aos 5 anos, ele já tem a noção de si e dos outros e do impacto que as suas atitudes causam, e claro, usa essa informação de uma forma habilidosa e até, diria, bastante inteligente.

Na verdade, cá por casa iniciaram-se, já há algumas semanas, os “braços de ferro”, que mais não são do que formas que o meu filho encontra para nos mostrar que quer ser ouvido e que, de facto, cada vez mais a sua opinião deve ser levada em consideração.  Desde pedidos mais simples até às exigências mais descabidas, tudo lhe serve para amuar, cruzar os braços e dizer que está zangado com a mãe ou com o pai, na esperança que um ou outro cedam. Na verdade, muitas vezes acabamos por ceder, em pequenas coisas, contudo a noção de “luta” fica patente e a “vitória”, ainda que chegue, não lhe é dada de “mão beijada”.

Tal como uma casa, que não pode começar pelo teto, também com os nossos filhos, não podemos e nem devemos passar etapas. Serem contrariados, de vez em quando, faz-lhes bem e desenvolve neles, não só uma saudável tolerância à frustração, como dela nasce uma maior empatia pelos sentimentos dos outros, na medida em que já experimentaram essas mesmas sensações.

É cada vez mais frequente o meu filho verbalizar que está zangado comigo ou com o pai e, se inicialmente essas palavras nos atiravam ao chão, são também essas mesmas palavras que nos fazem sentir que afinal estamos no caminho certo. Na verdade, os sentimentos negativos também existem e têm que ser sentidos, compreendidos e trabalhados – estou zangado com quem? Porque fiquei zangado? Como posso resolver?.

É claro que a nós, enquanto pais, nos compete fazer uma espécie de mediação entre o que é desejável ou não e ajudar os nossos filhos não só a fazer questões como auxilia-los na procura das respostas de forma a aliviar toda essa tensão.

Alguma da imaturidade do meu filho, ainda se reflete no aspeto de invocar o choro como forma de libertar a tensão durante uma discussão. De forma inteligente, ele percebe que quando chora, não só liberta a sua tensão interior, como consegue obter uma maior atenção do outro e, consequentemente uma mudança de atitude. Não é o desejável, contudo, não é fácil ser criança quando se sente que, à partida quem manda é o pai ou a mãe. E é nesse “jogo duplo” de ora ganho eu, ora perdes tu que ele vai desenvolvendo a sua tolerância, empatia para com as necessidades do outro e, claro, construir argumentos e a defende-los, mas também a moldar a sua personalidade e opiniões. No fundo, estes “braços de ferro” são tão cansativos para nós, enquanto pais, como são para os nossos filhos, mas considero que neles se encerra uma enorme forma de crescimento individual e desenvolvimento social saudáveis.

 

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