Mas afinal o que é ser condicional?

Não é mais que o rótulo utilizado para as crianças que completam os 6 anos (naquele ano civil) após a data de 15 de setembro e que por isso veem o seu acesso ao primeiro ano condicionado pelo número de vagas nos agrupamentos, pela falta de maturidade intelectual, física e/ou emocional ou, simplesmente pela decisão dos pais que serão sempre soberanos.

Não gosto de rótulos. Se por um lado é verdade que a diferença de um ou dois meses é fundamental quando se fala em desenvolvimento infantil, por outro lado não podemos e nem devemos esquecer que também a criança é um indivíduo dotado de capacidades intelectuais, físicas e emocionais que irão definir a forma como irá atuar em determinados contextos e situações.

Considero amplamente redutor que uma criança, por vezes, pela diferença de um ou dois meses, seja colocada de fora no ingresso ao primeiro ano do primeiro ciclo. Quero acreditar que nos casos em que tal acontece há uma tomada de consciência por parte dos pais junto dos educadores que afinal terão, na maioria dos casos, uma avaliação muito próxima e mais rigorosa daquilo que são as mais valias, mas também as barreiras, daquela criança, para o ingresso, ou não, no primeiro ano.

Quando tal não acontece e, tratando-se unilateralmente de uma decisão familiar e excluindo perturbações de desenvolvimento que o justifiquem, considero que poderá ser mesmo contraproducente manter uma criança, por mais um ano no jardim de infância. Além do mais, nesta idade as crianças já têm a ampla consciência de si e dos outros e será com uma ambiguidade de sentimentos que verão os colegas a progredir para a chamada escolas “dos crescidos” deixando a sensação de que ficaram para trás.

No entanto, questiono, se na maioria dos casos, enquanto pais, teremos a consciência das reais capacidades intelectuais, emocionais e físicas dos nossos filhos.

É importante perceber a empatia da criança com as rotinas e a disciplina, o estar sentado e o estar atento a uma chamada ou a um tema, dentro da sala, ou fora dela. Se a criança demonstra curiosidade pelos temas abordados, mas também pelas letras e números e se, do ponto de vista da coordenação motora consegue fazer tudo igual aos restantes da mesma idade.. Importante será, também, observar se a criança já tem autonomia, ao nível da sua higiene.

Sim, esta será a  escola “dos crescidos” isso é importante e fará toda a diferença na sua plena integração. Uma criança que ainda necessita de apoio permanente nas idas à casa de banho, poderá ainda não estar preparada, do ponto de vista da sua maturidade física e psicológica para dar este passo. E por fim, mas não menos importante, a comunicação. A capacidade de entender e de se fazer entender é fundamental.

Posto isto, é legítimo questionarmo-nos, enquanto pais, se a criança estará preparada ou não para dar um passo tão importante. Torna-se então fundamental contar com o apoio da escola e educadores para a tomada de decisão.

Na verdade, leio e ouço muitas mães e pais a defender a entrada tardia dos seus filhos, condicionais, na escola. Se por um lado, alguns deles apresentam premissas válidas, outros porém, apresentam um rol de argumentos muito vago e que, na maioria das vezes, assentam no “deixem as crianças brincar”, como se a entrada na escola lhes roubasse o sorriso, as brincadeiras, enfim a infância.

Neste último grupo, verifica-se quase sempre, que a decisão assenta nos comportamentos da criança, observados apenas em ambiente familiar e grandemente condicionada por opiniões e artigos de especialistas do desenvolvimento infantil.

Numa sociedade de massas, por vezes esquecemos que a literatura é isso mesmo, uma cultura de massas. Seja ela de opinião ou especializada. Na maioria das vezes, a literatura especializada assenta na experiência observada através de amostras, mais ou menos fidedignas.

Então, partimos do pressuposto que aquilo que lemos é uma verdade absoluta e que é aplicável a toda e qualquer criança. Mas esquecemos a individualidade. Aquilo que nos torna diferentes uns dos outros e que irá determinar as nossas ações nos mais diversos contextos.

Então, cada criança é única e tem em si um infinito de capacidades, mais valias, mas também barreiras que podem favorecer ou adiar o seu acesso ao primeiro ciclo, independentemente da idade em que o faça. O nosso papel enquanto pais de uma criança e, recorrendo ao rótulo, “condicional” é estar atentos aos sinais e procurar não as respostas, mas sim as perguntas certas para que uma criança “condicional” não se sinta condicionada.

 

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