Quando me falam no conceito de “mãe a tempo inteiro”, fico sempre com a sensação de que quem defende o conceito com “unhas e dentes” acredita mesmo que existem mães a part-time.

Pois bem, uma mãe passa a carregar esse estatuto a partir do momento em que o seu filho nasce e ela passa, para sempre, a ser uma mãe a tempo inteiro. Não é possível “despir” o papel de mãe, tirar férias ou fazer uma pausa. Esse papel passa a ser parte de nós e segue connosco para todo o lado, quer estejamos com os nossos filhos ou não.

É claro que há mães que se dedicam mais à rotina familiar e à dos filhos e que, inclusive deixam de trabalhar fora. Pessoalmente, consigo compreendê-las pois ser mãe, pode de facto, muito cansativo e, se por um lado há dias em que andamos nas nuvens, haverá outros que poderíamos até cuspir fogo a todos os seres que atravessem o nosso caminho.

A verdade é que a grande maioria das mães que eu conheço não pode abdicar do seu emprego e da sua fonte de rendimento, sob pena de colocar em risco toda a qualidade de vida familiar. Vivemos numa sociedade de consumo imediato e que chama de bens básicos todo um rol de aspetos que não faziam parte das dinâmicas familiares de há 30 ou 40 anos.

A vida está mais cara e os impulsos para o consumo estão muito mais presentes e para fazer face a estes (novos) gastos, ambos os elementos do casal têm que garantir uma parte do rendimento.

Mas quantas mães conhecemos que nos revelam que gostariam de ficar com os seus bebés até, pelo menos, aos dois anos?

Mas, se por um lado, temos cada vez mais mães a ponderar deixar as suas profissões para ficar com os seus filhos, a verdade, porém, é que muitas delas se vêm forçadas a fazê-lo.

Não é assim tão invulgares ver mulheres ainda grávidas ou recém mães com relatos de não renovação de contratos de trabalho. Por sua vez, as que continuam relatam alguma falta de compreensão relativamente às suas novas dinâmicas e não é invulgar mulheres, por exemplo, ainda a amamentar terem que fazer prova física, perante uma junta de medicina do trabalho, como forma de poderem continuar a manter a sua licença para esse efeito. Muitas outras, relatam que são colocadas “na prateleira” por não poderem, agora, sair depois da hora, porque chegam diversas vezes atrasadas, porque faltam sempre que há uma febre, porque vão às reuniões escolares, porque enfim…são mães e essa é a sua condição e o colocam acima de qualquer outra coisa.

Por tudo isto, há muitas mulheres que acabam por fazer interregnos nas suas carreiras para se dedicarem aos primeiros anos dos filhos.

No entanto, a sociedade é ainda demasiado severa com uma mãe que escolhe ficar em casa. E ainda que sejam reconhecidos os benefícios, habitualmente estas mães sentem-se julgadas por uma sociedade que já se habituou a ver a mulher como força de trabalho e sustento familiar.

Mas a mesma sociedade que julga uma mãe que decide ficar casa, julga também a mãe que decide apostar numa carreira profissional paralela à sua (eterna) função de mãe e, de forma constante, são colocadas em causa as suas capacidades como mãe e o seu amor pelos filhos.

Então, não, não há mães a part-time. Não há mães de fim de semana. Não há as mães que tiram férias de ser mãe, ou mães que fazem pausas na sua função de mãe. As mães não trocam de filhos e também não negoceiam vencimento de mãe. As mães são sempre mães a tempo inteiro e dedicam-se aos filhos com todas as suas forças, porque ser mãe não é uma escolha, é uma decisão para o resto das nossas vidas e para o resto da vida dos nossos filhos!

 

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