Há quem diga que a vida é curta demais para se aprender alemão.

Cá eu, aceito o desafio, e, para tentar enfrentá-lo, vim fazer Erasmus para Salzburgo, na Áustria.

Apenas passaram duas semanas desde que cheguei, mas já notei que os austríacos não são exactamente como os alemães. Ofensivo? Talvez. Mas há sempre quem os compare: “os austríacos são praticamente alemães! Olha, o Hitler era austríaco.”

É caso para dizer que os Österreischer não gostam muito disso. Graças a Deus, não acho que haja muita gente que os lembre desse facto.

Salzburgo, por acaso, encontra-se praticamente na fronteira da Áustria com a Alemanha. É conhecida por ser uma cidade muito musical – é a cidade do Mozart, dos festivais de música… e também do filme Música no Coração. Há quem cá venha só para ver as montanhas em frente das quais Julie Andrews cantou Do-Re-Mi e onde foi filmado My Favourite Things.

Já a favourite thing dos austríacos (e dos alemães, mas não vamos comparar, não é) é batata. Há batata por todo o lado. E carne… tanta carne! E cerveja, claro – acreditem, pede-se uma klein e vem um copo enorme, mas na minha opinião eles fazem batota porque é muito mais fraca do que a nossa (o que a torna mais leve e talvez melhor). Ainda a nível de especialidades culinárias, também acho que devo mencionar o Schnitzel e a Sacher Torte, que são mais típicos de Viena mas que também se comem aqui. A ironia é que é tão típico que ainda nem experimentei.

 

Erasmus em Salzburgo: o que aprendi em duas semanas

 

O que já experimentei foi falar com austríacos em alemão. Eu acho os de Salzburgo muito simpáticos. São prestáveis, e, ao contrário da experiência que tenho com os de Viena (e com muitos alemães), são pacientes com os estrangeiros e não se importam de falar inglês. Talvez isso tenha a ver com o facto de Salzburgo ser uma cidade muito universitária. Tal como Jesus era tanto homem como Deus e tanto Deus como homem, Salzburgo é tanto universidade como cidade e tanto cidade como universidade. A contar com a cerveja, montanhas, e Grüssgots, é o que se vê mais nesta cidade.

Quanto às montanhas, descobri que são como para os austríacos o que o mar é para os portugueses. Conheci uma rapariga de Innsbruck (nordeste da Áustria) que afirmou não poder viver sem elas… se calhar, dieta a parte, somos até um bocado parecidos com os austríacos.

 

Erasmus em Salzburgo: o que aprendi em duas semanas

 

Enfim, aqui estou eu, longe de casa, com montanhas em vez de mar, a procurar nos estrangeiros à minha volta alguma coisa de familiar.

Só passaram duas semanas mas estou mesmo a gostar de Salzburgo. O ar é muito puro aqui.

Gostaria de terminar citando alguma referência a Mozart, mas como ainda nao cheguei a esse ponto intelectualmente vou citar a música Climb ev’ry mountain, da Música no Coração: Climb every mountain/Search high and low/Follow every byway/Every path you know… o melhor ainda está para vir.

 

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Este artigo foi escrito em parceria com o Jornal Pontivírgula.
Redatora: Leonor Terenas