Cheguei finalmente à fase para que me andei a preparar nos últimos 12+3 anos da minha vida em que consistiu na minha formação académica – o final.

Esta a acabar… Ou pelo menos aparentemente a acabar… Diz-me toda a gente. Aquilo que pareceu ter demorado tanto tempo a fazer está finalmente a chegar ao fim.

No início do secundário ambicionar o fim da licenciatura parecia-me algo absolutamente inalcançável e que quando finalmente lá chegasse iria estar num estado mental completamente diferente. A verdade, é que me apercebo agora de algo diferente.

Acabo o meu curso se tudo correr bem no final do próximo mês… Depois disso, algumas opções se metem na minha frente: Uma será mestrado, outra um estágio não remunerado para adquirir experiência (supostamente), outra trabalhar em qualquer coisa, outra fazer tudo ao mesmo tempo… Mas no final de contas como é que eu sei o que fazer?

ALERTA futuro finalista! Não sabes… Devias saber? Sim provavelmente devias… Algures na escola ou na faculdade deviam ter-te orientado para chegares a este momento. E com certeza os teus país e professores estão perfeitamente convencidos que te prepararam para este momento, a verdade é não.

Toda a gente vai ter uma opinião sobre o que tu deves ou não deves fazer a seguir: País, irmãos, amigos, namorados, professores, avós, tios, primos… No momento em que mais calma e tempo para pensar devias ter vais ter uma chuva te opiniões a cair em cima de ti. E acredita, na opinião de toda esta gente eles seriam e fariam uma melhor versão de ti que tu estás a fazer.

Todos eles tomariam melhores opções sobre o que fazer a seguir. Se a minha mãe fosse eu, ela seria um muito melhor eu… Até se a minha irmã fosse eu seria um melhor eu. Mas que pena deve ser para eles todos que eu sou eu e não eles.

Finalista, não é fácil esta coisa… Confesso que a fase mais emocionante da minha vida, em que finalmente a vida adulta deveria estar no seu máximo se me apresenta como algo profundamente assustador. O temor do fim do curso surge no fim de uma longa estrada que não tarda vai terminar e eu ainda não vi o início da próxima. Nos últimos dias tenho pensado em escrever um texto guia de apoio às pessoas na minha situação… Mas acabei por ficar no limbo intelectual em que estou agora… Não sei… Está a acabar. tenho que pensar e o tempo aperta.

Tenho 21 anos! Montes de coisas para fazer, imensos sítios para ir e quilos de projetos que nunca vou conseguir cumprir pelo menos nos próximos 10 anos, outros que talvez cumpra… É tempo de decidir, é tempo de trabalhar é tempo de muita coisa e tudo ao mesmo tempo…

Mas acho que existe uma linha orientadora de tudo isto à qual me tenho tentado colar. É tempo para mim! É tempo para eu parar pensar e decidir, nesta idade temos tempo para tudo, tempo é a nossa única e maior riqueza. Porque dinheiro não é muito… Independência também não, espaço provavelmente também não, nesta altura parece que ninguém nos larga.

A maior vantagem de um finalista é o tempo! Tens toda a vida pela frente! E ignorando o que os outros dizem, É TEMPO DE USAR O TEMPO PARA TI!

Relaxa, respira, e usa o tempo para pensares no que mais interessa: o presente e a maneira como diariamente o deves organizar. O futuro está longe, e apesar de toda a gente o fazer parecer que está ali ao sair do curso ainda vais ter um longo caminho com muitas opções novas a tomar a cada dia.

Concentra-te no que conseguiste até agora e não no que toda a gente projeta para tu conseguires. Estás no início da tua vida, uma vida que vai ser recheada de coisas boas e más a nível pessoal e profissional e o fim desta etapa deve ser para ti uma felicidade e não um stress.

Por isso, proponho a seguinte solução para as vicissitudes de um finalista: Entrega as tuas fitas, faz a tua festa, viaja, diverte-te, depois quando tudo acabar a seu tempo e sem pressão do mundo deixa que a tua intuição e a de mais ninguém te siga pelo melhor caminho.

Nos últimos dias tenho pensado muito neste poema, talvez ajude também outros finalistas a pensar sobre o que desejam do seu futuro.

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
– Sei que não vou por aí!

José Régio, in ‘Poemas de Deus e do Diabo’

Todos nós devíamos ser assim agora- seguir os nossos próprios passos e nunca ir por onde dizem os outros e se formos que seja porque queremos.

 

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