Os alunos do ensino profissional vão passar a ter uma via própria de acesso ao ensino superior. Os exames nacionais deixarão de ter peso neste processo que será testado no próximo ano letivo. O What a Tutor explica-te como vai funcionar este regime especial e por que razão o Governo quer implementá-lo.

 

Até agora, os alunos do ensino profissional ou artístico que quisessem ingressar no ensino superior tinham de fazer os exames nacionais e candidatar-se como todos os outros. No entanto, os exames nacionais versavam sobre matérias que esses alunos nunca tinham aprendido, por terem optado por um ensino de cariz profissional ou artístico especializado, com currículos diversos. Esta foi uma das justificações do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor para a aprovação e importância desta medida.

 

Aprovado no passado dia 5 de abril em Conselho de Ministros, o novo regime “tem mecanismos particularmente importantes e relevantes para aqueles que acabam o ensino secundário pela via artística ou profissional, não exigindo a conclusão do ensino secundário com provas em áreas onde eles não tinham adquirido competências”, disse Manuel Heitor à Lusa.

 

Dados do ano letivo de 2015/2016 já mostravam como a maioria dos estudantes do ensino profissional não prossegue os seus estudos. Segundo um relatório da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, citado pelo DN, 84% dos alunos do ensino profissional não ingressam no ensino superior. Por outro lado, a taxa de transição para o ensino superior dos alunos de cursos científico-humanísticos é de de 80%. O mesmo relatório referia ainda uma “escassez da oferta formativa de cursos técnicos profissionais, em termos proporcionais, no ensino superior politécnico dos dois distritos mais populosos do país”. Porém, a medida atual refere-se apenas ao regime de acesso ao ensino superior.

 

Como vai funcionar o novo regime?

 

O Governo está a tentar criar um regime especial, que funcione por concurso e tenha vagas próprias. Cada universidade ou politécnico deve decidir quais os critérios para aceitar alunos que venham do ensino secundário profissional. A medida será primeiro testada, no próximo ano-letivo, antes de ser implementada completamente. Só as universidades que aceitarem participar neste projeto-piloto terão vagas especiais para estes alunos.

 

Na altura da discussão desta medida, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Pedro Dominguinhos alertava para os seus riscos. Ao Público, disse que lhe parece “arriscado fazer isto em três meses” e que receia que os cursos técnicos superiores profissionais fiquem sem alunos.

 

Para além disso, Dominguinhos referiu como a maioria das licenciaturas é feita a pensar nos conhecimentos dos alunos provenientes de cursos científico-humanísticos. Assim, o CCISP propõe ainda que seja testado um “ano zero” que possa preparar os alunos do ensino profissional para a licenciatura. Porém, o Governo não revelou que isto vá acontecer. Até ao final de abril, esta medida terá uma versão definitiva, a ser testada a partir do próximo ano letivo.

 

 

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Este artigo foi escrito em parceria com o Jornal Pontivírgula.
Redatora: Carolina Correia