Francisco Lopes, 24 anos, atualmente a estagiar num hotel no Dubai, fez Erasmus na universidade Wyzsza Szkota Hotelarstwa i Gastronomii w Poznaniu, em Poznan, na Polónia, em 2014.

1) Porquê fazer Erasmus?

Fiz Erasmus sobretudo para conhecer o mundo lá fora, Portugal é muito pequeno… E quando surgiu a oportunidade de experimentar o estrangeiro decidi que estava na altura de dar o passo para a internacionalização. Cultura nova, língua nova, país diferente, costumes diferentes… tudo diferente! Basicamente descobrir um mundo novo e alargar horizontes.

2) Quando fizeste Erasmus?

Tinha 18 anos. Durante o 2º ano, primeiro semestre, curso Gestão Hoteleira, Universidade Europeia. Fiz nesta altura porque foi o momento que achei mais oportuno. Sempre quis conhecer o estrangeiro e tu quando vais para uma licenciatura, primeiro queres adaptar-te ao curso e à vida universitária, e quando tens o feeling de que as coisas estão estáveis e as notas estão boas, sentes que estás preparado para dar o próximo passo e ir para o estrangeiro.

3) Porquê a Polónia? Fala-me das tuas opções de destino.

Basicamente uma coisa que aprendi na vida é que o inesperado acontece… O meu primeiro plano era ir para a Irlanda. Voo marcado, alojamento assegurado e protocolo assinado entre as universidades. No entanto, imprevistos acontecem e por motivos internos à universidade, este protocolo cessou. No final do dia, o coordenador de Erasmus veio falar comigo e apresentou-me duas opções: Polónia ou Chipre. E eu escolhi a Polónia, porque gosto de países frios, tinha curiosidade em ver o Inverno de branco e por estar a 3h de Berlim, o centro da Europa, dando-me uma grande mobilidade para explorar as redondezas.

 

 

4) Como foi a preparação para ir de Erasmus?

Na altura já era um rapaz habituado a aventuras fora de casa, devido às atividades desportivas, nomeadamente o surf e também quando estava no 12º ano, quando tive a oportunidade de ir estudar uma semana para Londres, o que já me dava um certo à vontade lá fora. Falava bem Inglês, o que, de certa forma, foi uma grande ajuda e a minha personalidade, de mente aberta, sempre com entusiasmo de descobrir o desconhecido.

5) O que levaste contigo para esta aventura de 6 meses?

Roupa de inverno (camisolas térmicas em licra, com pele por dentro; luvas, gorro, cachecol), roupa interior (boxers, meias, leggings de veludo), 4 t-shirts, material para a universidade (cadernos, dicionário ing-pt, computador, apontamentos de inglês com palavras da área de gestão hoteleira), bandeira portuguesa, robe, pijama… o essencial para me sentir em casa.

 

 

6) Como foram os primeiros dias?

Posso dizer que fui para a Varsóvia, uma semana antes de começar as aulas, para uma casa família de acolhimento polaca, que me acolheu durante uma semana e me ajudaram a procurar alojamento em Poznan. Foi uma família muito querida e amável, os meus “pais” no estrangeiro.

Quando cheguei a Poznan, fui de comboio que durou cerca de 3h. Lembro-me que estava assustado quando cheguei ao alojamento, porque primeiro cheguei à cidade e quase ninguém falava Inglês; tinha 3 malas comigo e estava a nevar e ainda por cima, estava perdido. Nessa altura pensei: bom, a 3600km de casa, perdido, a nevar e não sabendo onde estou, vamos ver no que isto vai dar….

Na altura, a minha sorte foi ter a bandeira portuguesa ao pescoço e um estrangeiro, que reconheceu a bandeira, veio falar comigo e perguntar se estava tudo bem. Logo aí, indicou-me o caminho correcto para o polonez, a residência estudantil onde fiquei. Quando cheguei ao quarto, este estava frio e vazio e quase que me veio as lágrimas aos olhos por me sentir sozinho, longe de tudo e de todos. Entrei em pânico! Liguei para casa, em Portugal. Expliquei a minha situação aos meus pais e lembro-me de uma frase que o meu pai me disse: “vais sair do teu quarto, vais ao lobby do alojamento e vais falar com a primeira que encontrares”. E assim foi. Fiz a minha primeira amizade, uma rapariga turca, que ainda hoje é minha amiga. E de um segundo para o outro, o pânico desapareceu e voltei a sentir-me em casa. Ela foi comigo às compras, ajudou-me a conhecer a zona, mais pessoal. A aventura começou aqui, onde comecei a fazer novas amizades.

7) O que fizeste lá?

Viajei por toda a Polónia, fui a Berlim, na Alemanha, fui a muitas festas e fiz amizades para a vida. Provei gastronomia polaca e fui a jogos de futebol do Lech Poznan.

 

8) Como era o teu dia a dia?

Levantava-me por volta das 8h. Tomava o meu duche e o pequeno almoço, na cozinha partilhada da residência. Equipava-me com roupa para a neve, porque estava sempre a nevar. Apanhava o eléctrico e demorava 20minutos até chegar à Universidade. Tinha aulas em Inglês, com duração de 1h30, até às 16h (quando anoitecia). Almoçava na cantina da universidade. Por volta das 16h, altura em que anoitecia, regressava a casa de eléctrico para apanhar as coisas para ir para a piscina (meia hora de casa). Treinava durante 1h e regressava a casa, onde jantava e saía à noite com os amigos.

9) Como eram as aulas comparativamente com Portugal?

Os alunos mal sabiam falar inglês, o que contrastava com os professores que estavam à vontade com o idioma. Tentava comunicar com os meus colegas de turma em polaco. As aulas eram muito interativas e havia uma grande curiosidade pela minha pessoa, por ser estrangeiro. Na turma apenas haviam polacos e ucranianos.

10) Conheceste portugueses?

Conheci uma rapariga da minha universidade que também foi para lá fazer Erasmus 3 semanas depois de eu ter ido para lá, para o mesmo curso que eu. Na cidade conheci também outros portugueses, da Universidade do Estoril.

11) Estudar em Erasmus é um mito ou é tão verdade como em Portugal?

Não considero que seja um mito. Só depende de ti se quiseres aproveitar as aulas e aprender mais e ter acesso a novas realidades. O sistema de ensino na Polónia não é diferente daqui. Só vais às aulas se quiseres e as faltas dependeriam da disciplina e do professor. Tal como em Portugal, tinha imensos trabalhos para fazer, um por disciplina, que também tinham prazos de entrega a cumprir. Ou seja, éramos avaliados por trabalhos, mas paralelamente, também fazíamos alguns testes. Fazer avaliação contínua ou final era opcional.

 

 

12) Que custos tiveste?

A vida na Polónia é sensivelmente mais barata que em Portugal, quer a nível de transportes públicos, alimentação ou até mesmo de alojamento. A moeda utilizada é o Zlot, pelo que as pessoas que usam o Euro têm um maior poder de compra na Polónia. Gastava cerca de 400€ por mês, que incluía alimentação, viagens, transportes, festas e casa. Ou seja, no final de contas, gastei cerca de 2.400€ em todo o Erasmus. No meu caso, tive ainda direito a uma bolsa de apoio, no valor de 900€, para ajudas de custo, na sequência do bom desempenho escolar, que só me chegou no final do Erasmus…

13) Quais as coisas te mais te marcaram?

Festas à “American Pie” style, em que íamos todos para um apartamento beber, fumar, e o resto fica na vossa imaginação. Ter pessoal a dormir no meu quarto. Os bares antes da discoteca. Bebíamos shots com queijo fresco e batata cozida quente. Às 5h íamos comer kebabs.

14) Se tivesses a oportunidade de repetir esta experiência, farias?

Sem pensar duas vezes! Fazer Erasmus foi a minha melhor experiência de vida. Obrigar-me a falar Inglês num lugar distante, sozinho e totalmente diferente da minha experiência do 12º ano. Cresci enquanto pessoa e enquanto profissional, alargando os meus horizontes.

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